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Tanque-rede: entenda esse sistema e suas vantagens

tanque-rede

Por haver uma redução significativa dos estoques pesqueiros, o que é resultado de uma exploração indiscriminada da pesca, a aquicultura vem crescendo acentuadamente. Isso leva a uma crescente diferença entre a quantidade de pescado capturado e a demanda de consumo de alimento de alto valor proteico.

Existe uma diversidade de organismos aquáticos em produção que se destacam na aquicultura mundial — alguns peixes já são considerados domesticados e com pacote tecnológico fechado, como é o caso de carpas, bagre-americano, bagre-africano, tilápia e salmão.

Diante de tal impasse, surge a necessidade de aperfeiçoamento e novos métodos de produção, com destaque para o tanque-rede. Para ajudar você a entender um pouco mais sobre essa infraestrutura de produção, elaboramos um conteúdo com informações úteis sobre o assunto. Boa leitura!

 

O que é tanque-rede?

Pode-se dizer que tanques-rede são estruturas flutuantes, semelhantes a gaiolas, utilizadas na criação de organismos aquáticos, podendo ser confeccionados em rede ou tela revestida, com malhas de diferentes tamanhos e materiais construtivos, permitindo a passagem de um elevado fluxo de água, responsável pela manutenção da qualidade do ambiente e pelo afastamento e diluição dos dejetos dos peixes.

De forma simplista, um tanque-rede é um dispositivo desenvolvido para conter os animais aquáticos que o aquicultor deseja produzir. Deve ser elaborado com materiais leves e não cortantes, para facilitar o manejo, e apresentar resistência mecânica e à corrosão.

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Quais as principais vantagens da instalação de um tanque-rede?

Os tanques-rede podem ser instalados em grandes corpos d’água por meio de estruturas flutuantes, em ambientes onde ocorrem variações periódicas no nível d’água ou com o uso de estacas fixas, em locais onde isso não se altera.

Entre as vantagens dessas estruturas, se destacam o alojamento dos animais em condições protegidas do ataque de predadores e competidores e com o fornecimento de água e alimento de boa qualidade.

Mas as vantagens não param por aí. Também podemos ressaltar que tanques-rede oferecem:

  • menor investimento por quilo de animal produzido;
  • possibilidade de despesca o ano todo;
  • uso racional dos recursos hídricos;
  • manejo simplificado;
  • rápida implantação e expansão da produção;
  • baixa dependência da disponibilidade de energia elétrica;
  • facilidade de observação diária dos animais aquáticos, levando à descoberta precoce de doenças, deficiências alimentares e distúrbios de comportamento.

No entanto, assim como ocorre em qualquer tipo de negócio, o uso de tanques-rede também apresenta algumas desvantagens, como:

  • dependência absoluta de alimentação artificial;
  • em algumas regiões do território nacional podem ser encontradas maiores dificuldades para a legalização do empreendimento;
  • dificuldade para o controle de doenças, infestações de parasitas e contaminações diversas;
  • suscetibilidade a roubo, furto, atos de vandalismo e outros possíveis sinistros.

Quais os principais tipos de tanque-rede?

Basicamente, é possível classificar os tanques-rede pelo tamanho — ou, melhor dizendo, pelo volume e pela forma construtiva. Por tamanho, pode-se considerar:

  • pequeno volume: até 8 m³;
  • médio volume: entre 8 e 108 m³;
  • grande volume: maiores que 108 m³.

O ideal é utilizar bolsões montados com telas fabricadas com materiais flexíveis, o que facilita o manejo, mas existe um porém: normalmente, são materiais suscetíveis à ruptura e ao corte, o que impede seu uso em locais onde existam predadores e animais com dentição capaz de cortar os cabos da tela do bolsão.

Nesses casos, é necessário o uso de telas metálicas, resistentes às investidas dos predadores. Existem dois tipos dessas telas: as rígidas (como a tela de moeda) e as semiflexíveis, confeccionadas com fios de arame de aço inoxidável ou de aço-carbono galvanizado a fogo ou coberto com liga bimetálica à base de zinco e alumínio, cobertos ou não com PVC de alta aderência, polipropileno, poliamida ou polietileno.

Quanto à forma construtiva, podemos elencar os tanques-rede e gaiolas flutuantes quadradas, retangulares, octogonais e circulares. Para evitar as incrustações, que dificultam a troca de água contida no interior dos tanques-rede, existe, ainda, a possibilidade de alugar ou montar os bolsões com telas semiflexíveis tecidas com fios de cobre.

O formato circular é normalmente utilizado para tanques-rede de grandes volumes instalados em grandes corpos d’água em regiões onde a velocidade de correnteza é intensa ao longo das 24 horas do dia. Para facilitar o manejo reprodutivo, larvicultura e reversão sexual de tilápias em viveiros naturais escavados, o tipo mais utilizado é denominado de happa, confeccionado em material flexível normalmente com formatos retangulares.

Ainda cabe ressaltar que, para instalação em áreas de ocorrência de furacões, existem tanques-rede submersíveis e os instalados totalmente submersos.

Quais os principais pontos para selecionar a área de instalação?

Para a seleção do local para a instalação de uma unidade de produção de organismos aquáticos em tanques-rede, alguns aspectos devem ser estudados:

  • facilidade de acesso, para a chegada de insumos e escoamento da produção;
  • distância dos centros de consumo;
  • distância da região produtora de grãos;
  • distância das fábricas de ração;
  • legislação vigente sobre as espécies de peixes liberadas para esse sistema de produção — tanques-rede ou gaiolas flutuantes em corpos d’água;
  • infraestrutura de apoio existente, como um píer de acesso, para facilitar o embarque de insumos e desembarque da produção;
  • qualidade da água do reservatório;
  • disponibilidade de alevinos da espécie desejada;
  • ocupação das áreas adjacentes;
  • risco potencial de contaminação;
  • flutuação da disponibilidade de oxigênio dissolvido ao longo das estações climáticas;
  • variação da temperatura da água do reservatório ao longo do ano;
  • oscilação máxima do nível d’água previsto no projeto da barragem, ou seja, conhecer a cota máxima e a mínima do reservatório;
  • estudo aprofundado da hidrodinâmica do local, já que a renovação da água dos tanques ocorre em função das correntezas;
  • estudo aprofundado sobre a dinâmica dos ventos na região e da pista de vento no reservatório;
  • mapeamento da termoclina e como ela se comporta ao longo do ano;
  • adequação das embarcações às condições locais.

Quais os principais erros de instalação?

Cometer alguns erros no processo de instalação de tanques-rede pode resultar em prejuízos e, na pior das hipóteses, na perda de toda a produção.

Entre os principais, se destacam:

Profundidade

A distância entre o fundo do tanque-rede e o fundo da barragem deve ser de, pelo menos, duas vezes a altura do tanque-rede.

Distância e posicionamento dos tanques-rede

Para se ter uma boa renovação de água nos tanques-rede, é necessário que a corrente de água passe de maneira perpendicular às instalações, sendo importante manter uma distância mínima entre as gaiolas, para garantir a diluição dos resíduos metabólicos dissolvidos na água. Para tanto, recomenda-se manter um espaço equivalente ao triplo da superfície do tanque rede.

Qual o melhor tipo de comedouro?

Pensando no fornecimento de rações extrusadas flutuantes, existem três tipos de comedouro, também chamados de anéis de contenção de ração:

Quadrado ou retangular

É um dos modelos mais utilizados, devido ao aproveitamento de toda a superfície do tanque-rede, ou seja, tem uma maior área destinada à alimentação. A desvantagem desse tipo é que pode prender o animal nos espaços entre a tela externa do tanque-rede e o comedouro.

Perimetral

Tem grande área de alimentação, pois é instalado ao longo de todo o perímetro do tanque-rede, podendo atender a todos os peixes e evitando, assim, a competição pelo espaço. A desvantagem desse modelo é devida ao fato de a malha ser fixada no tanque, podendo dificultar a circulação de água.

Circular

Assim como os outros dois modelos descritos acima, reduz a perda de ração no momento do arraçoamento. A desvantagem é referente à restrição da área de alimentação em relação à superfície do tanque-rede. Isso pode favorecer, ou privilegiar, o acesso dos peixes maiores, que se alimentarão primeiro, deixando as sobras, se houver, para os menores e, consequentemente, tornando o lote heterogêneo.

Quais os sistemas de criação?

De modo geral, existem 3 tipos de sistemas de criação:

Sistema monofásico

Todo o ciclo de produção se passa em um único tanque-rede. Normalmente, peixes juvenis são alojados nas estruturas, com peso médio entre 30 e 50 g, e despescados quando tiverem com o peso comercial.

Sistema bifásico

No sistema bifásico, são utilizados alevinos, com peso médio de aproximadamente 1 g, que serão criados em um berçário (bolsão produzido com tela de pequena abertura de malha) durante determinado período de tempo. Quando atingirem o porte de juvenil, quando o peso médio fica algo entre 30 e 50 g (fase de recria e terminação), são transferidos para outros tanques-rede, onde permanecem até atingirem o peso comercial.

Sistema trifásico

São utilizados 3 tipos de tanques-rede e/ou bolsões com abertura de malha distintas:

  • 1º: fase da alevinagem (cria), quando os alevinos são alojados com peso médio de 1 g e mantidos até atingirem 30 a 50 g, semelhante ao modelo descrito nas condições do sistema bifásico;
  • 2º: logo após, são transferidos para os tanques de recria, ou engorda, no qual os peixes atingem peso médio entre 200 e 350 g;
  • 3º: quando atingirem peso intermediário, são, então, transferidos para os tanques de terminação, onde serão despescados quando atingirem o peso comercial.

A inspeção e a manutenção periódica dos tanques é importante?

Em fazendas aquáticas de produção em tanques-rede e gaiolas flutuantes, é muito comum ocorrer a incrustação de organismos vegetais e animais nas telas ou malhas, fato chamado de colmatação. Quando a manutenção não é realizada, o problema acaba se agravando e levando a: redução da taxa de renovação da água, redução do oxigênio dissolvido na água e deterioração de sua qualidade, tornando-se, também, vetor de doenças.

Para evitar o escape indesejado dos organismos aquáticos, recomenda-se realizar inspeções visuais periódicas por meio do mergulho ou com uso de robôs subaquáticos equipados com câmeras para a filmagem das telas, permitindo a observação de danos na panagem dos bolsões e redes das gaiolas.

Assim, fica evidente que as operações de inspeção e de manutenção devem ser realizadas periodicamente em todas as estruturas. E, dependendo das condições das mesmas, deve-se proceder à limpeza e ao reparo por meio da costura ou da retirada e substituição das telas.

Como o território brasileiro apresenta grande disponibilidade de recursos hídricos represados, a criação de peixes em tanques-redes e gaiolas flutuantes acaba se tornando uma alternativa relativamente barata e simples quando comparada a outros sistemas, por exemplo, viveiros naturais escavados, em que o custo da terra e a necessidade de desmatamento e destoca das áreas a serem ocupadas pelo empreendimento podem onerar ou até inviabilizar a implantação do projeto.

O uso de tanques-rede e gaiolas flutuantes tem contribuído significativamente para o crescimento da atividade aquícola, reduzindo, assim, a pressão da pesca indiscriminada sobre os estoques de animais aquáticos.

Gostou do nosso conteúdo sobre tanque-rede? Ficou com alguma dúvida ou sugestão ou quer compartilhar suas experiências? Entre em contato conosco para conhecer melhor os nossos serviços!

 

 

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