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Projeto de piscicultura começa a mudar a vida de famílias indígenas

projeto de piscicultura

Comunidade indígena tem na criação de peixe uma atividade de subsistência alimentar, com comercialização do excedente.

 

Membros da comunidade se reuniram para fazer a despesca de tambaqui, no Amajari (Foto: Ana Gabriela Gomes)

Cerca de 1.500 quilos de tambaqui foram despescados no dia 08 de dezembro de 2016, na Comunidade do Guariba, localizada no Município de Amajari, ao Norte do Estado. Esta é a segunda vez que a comunidade realiza o procedimento para comercialização do pescado na Capital. A piscicultura faz parte de um projeto de sustentabilidade e desenvolvimento econômico nas comunidades indígenas de Roraima.

A criação dos peixes é direcionada tanto para a subsistência alimentar da comunidade como para a comercialização do excedente produzido. Para o consumo próprio, cerca de 50 quilos de peixe são distribuídos por semana entre as 86 famílias. Mais de 400 pessoas recebem a proteína na comunidade. O coordenador da piscicultura, Aderaldo Rodrigues, explicou que trabalha junto a vinte pessoas, quase diariamente, nos três tanques que contém tambaqui.

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Com exceção do domingo, o trabalho realizado é resumido em controlar o PH da água, dar ração aos animais e assegurar que os alevinos não sejam mortos por bichos. Para tanto, os envolvidos criaram uma escala rotativa que se inicia às 4h. O objetivo do escalado é nadar nu no tanque para espantar qualquer ameaça aos alevinos e oxigenar a água.

Para Rodrigues, o projeto é de suma importância não só para os indígenas, envolvidos diretamente, como também ao Estado, por receber e consumir peixe de qualidade. “Nós abraçamos o projeto e temos a reponsabilidade de cuidar dele. Hoje estamos colhendo o futuro e vamos prosseguir com isso”, ressaltou. Para acompanhar o processo, o coordenador convidou a escola da comunidade.

Segundo ele, a finalidade é que os estudantes vejam e saibam, na prática, como é realizado o trabalho da piscicultura na comunidade. A professora da Escola Estadual Tuxaua Manoel Horácio, Heleniza Tavares, informou que os alunos aprendem sobre a beleza do trabalho em sala. “Tive a oportunidade de ver os tanques de cima e não acreditei que temos isso na nossa comunidade. Só podemos agradecer”, disse.

Para a segunda tuxaua Marilza Mota, a economia da comunidade foi favorecida com o recebimento do projeto, tendo em vista que pessoas que não tinham como se sustentar já recebem parte do que vendem. Apesar de ter adentrado na Guariba após a implantação dos tanques, como membro da nova gestão ela quer continuar com o projeto. “Sabemos que isso ajuda nas ações da própria comunidade e fora dela”, pontuou.

Conforme relato de Rodrigues, o dinheiro recebido pelos peixes vai para o caixa e, do total, 40% é destinado à continuidade do projeto. Pensando à frente, ele informou que a partir de agora não haverá apenas criação de tambaqui, haverá também de matrinxã, aracu e curimatã para ampliar o negócio.

Destaca-se que os envolvidos nos tanques receberam instrução técnica durante a implantação do projeto, uma vez que, após dois anos de criação, a comunidade deverá arcar com as despesas necessárias para que o negócio continue funcionando, como comprar ração, contratar técnicos para assistência dos tanques e controlar o PH da água. Os 40% destinados ao projeto fazem parte da instrução.

PESAGEM – Após a retirada dos tanques, os peixes são levados na carroceria de um trator da comunidade para a pesagem. Divididos em sacos, os peixes são pesados de dez em dez. Em média, um saco com dez peixes pesa de 20 a 25 quilos, dependendo do tamanho. Cada peixe é vendido em torno de R$ 5,70.

PROJETO – A despesca realizada é o resultado do projeto de piscicultura que está em implantação nas comunidades indígenas do município do Amajari, sob emenda parlamentar do deputado federal Édio Lopes. Guariba foi a primeira a receber o plano, em 2015, com a presença do Ministro da Pesca, Helder Barbalho, que hoje ocupa o cargo de Ministro da Integração Nacional.

Na comunidade foram implantados sete tanques. Seis possuem a dimensão de 3.000 m² e um, de 6.000 m². As demais comunidades beneficiadas com o projeto no Amajari são: Três Corações, Ouro, Araçá, Mangueira e Aningal. Além do município, o projeto também está sendo desenvolvido em Normandia e São João da Baliza, ao Norte e Sul de Roraima, especificamente.

O valor total do convênio é de R$ 1,4 milhão, dos quais já foram liberados pouco mais de R$ 900 mil. Em breve, a prefeitura do Amajari receberá a última parcela, que é de quase R$ 500 mil. “As comunidades devem ser envolvidas. Não adianta haver o elo entre o deputado, prefeitura e técnico se a parte principal não agir”, frisou.

(Fonte: Folha Web)


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