Produção de peixes: saiba como amenizar o excesso de calor

Homem realizando piscicultura.

A qualidade da água é um fator primordial na piscicultura, influenciando diretamente a vida dos animais. Qualquer mudança grande ou brusca nas características do meio aquático pode levar a uma redução da produção. Por isso, muitos fatores precisam ser monitorados constantemente — e um dos mais importantes deles é a temperatura.

Os peixes têm parâmetros muito específicos de habitat, o que pode ser constatado na grande variedade de espécies existente, que se adaptaram a níveis diversos de luminosidade, oxigenação, temperatura e acidez da água, por exemplo. Na piscicultura, porém, é o produtor quem deve controlar o ambiente para oferecer as condições ideais de vida aos animais. E, nesse sentido, o excesso de calor tem um forte impacto na produtividade dos viveiros.

Pensando nisso, neste post falaremos mais a respeito das consequências da alta temperatura na produção de peixes, além de darmos dicas sobre como amenizá-la. Continue lendo!

A importância de monitorar a qualidade da água para piscicultura

A água é um meio com alta capacidade de absorção de elementos físicos e químicos, podendo modificar sua composição. Especialmente estando ela limitada a um espaço determinado, com pouco fluxo de renovação —como no caso de viveiros para a piscicultura —, a influência de fatores externos sobre suas características pode ser grande.

O maior problema disso é que os peixes são seres sensíveis a mudanças em seu habitat. Por não regularem a própria temperatura corporal, esses animais acabam mudando seus hábitos alimentares, reprodutivos e de mobilidade para se adequar a épocas atípicas, seja de muito frio, seja de calor. Isso causa um desequilíbrio ambiental, que modifica as características da água.

O contrário também pode ocorrer. Uma mudança nos parâmetros do viveiro pela ação de agentes externos — como a água da chuva, a poluição, a superlotação dos tanques ou o uso equivocado de aditivos, por exemplo — causará alteração nos ciclos vitais dos peixes.

Portanto, é preciso que o piscicultor monitore a qualidade da água para mantê-la dentro dos padrões ideais de vida da espécie cultivada. Assim a produtividade pode ser aumentada, com uma maior expectativa de vida dos animais, um ritmo de reprodução mais rápido, índices de fecundação elevados e até indivíduos maiores.

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Aspectos da água a serem monitorados

Como dissemos, a água dos viveiros de peixes deve ser controlada, com medições regulares dos seus aspectos físicos e químicos. A seguir, listamos os mais importantes deles e suas faixas ideais para a piscicultura:

Químicos

  • PH — índice de acidez que deve ficar entre 7,0 (neutra) e 8,3 (um pouco alcalina). Padrões abaixo de 4,0 (muito ácida) ou acima de 11,0 (muito alcalina) causam mortandade;
  • alcalinidade — indica a quantidade de carbonatos e bicarbonatos presentes na água, importantes para a formação do plâncton. Seus valores ideais estão entre 20 e 300 miligramas por litro (mg/L);
  • dureza — demonstra as quantidades de cálcio e de magnésio, nutrientes essenciais para o fitoplâncton. Devem ficar entre 55 e 200 mg/L;
  • oxigênio dissolvido — utilizado na respiração dos peixes, sua taxa é boa entre 4 e 6 mg/L, mas, dependendo da espécie, pode resistir bem a partir de 2 mg/L;
  • amônia — a amônia torna-se mais tóxica conforme muda o pH da água. Em pH 6,5, apenas 19% dela é tóxica. Já em pH 9,0, 45% se torna nociva.

Físicos

  • cor — o ideal é que a água tenha uma coloração de azul-esverdeada para verde, indicando um ambiente repleto de fitoplânctons, propício para a criação de peixes;
  • turbidez — a turbidez impede a passagem dos raios de sol, necessários para a fotossíntese dos fitoplânctons. Portanto, quanto mais turva ela for, pior é a condição da água;
  • transparência — a transparência se difere da turbidez pois pode ser causada pelos fitoplânctons, o que é desejável. Nesse caso, uma visibilidade de 30 a 45 centímetros (cm) é o ideal;
  • temperatura — a temperatura influencia no ritmo biológico dos peixes e na oxigenação da água. Quanto mais quente for, maior é a atividade fisiológica nos animais e, portanto, maior é o consumo de oxigênio.

Dentre esses fatores, a temperatura é um dos mais difíceis de serem controlados, ao mesmo tempo em que é um dos mais prejudiciais — afinal, uma pequena mudança nesse parâmetro pode causar diversos danos à criação. Por isso, ela deve ser medida três vezes ao dia, em diferentes profundidades.

Os danos causados pelo calor na produção de peixes

A temperatura da água é influenciada pelo clima da atmosfera, sofrendo alterações pela ação de chuvas, vento, granizo ou, simplesmente, pela mudança de estação. Todas as funções biológicas dos peixes são afetadas pelo calor, tornando o seu metabolismo mais acelerado em temperaturas mais quentes, e mais lento no frio.

Dessa forma, inclusive, ela age também na oxigenação da água. Afinal, ao tornarem-se mais ativos, os animais consomem o oxigênio dissolvido com maior rapidez, desequilibrando o ecossistema. O frio excessivo, por outro lado, também não é bom, pois torna o metabolismo dos animais mais lento, causando apatia e reduzindo suas defesas contra micro-organismos causadores de doenças.

No geral, cada espécie tem uma faixa de temperatura de conforto e uma de temperatura ótima, em que o nível de produtividade dos indivíduos chega no pico sem, no entanto, causar estresse aos próprios peixes ou ao viveiro como um todo.

Maneiras para amenizar as variações de temperatura

Diante do que vimos até aqui, os piscicultores devem tomar certas providências para minimizar as variações de temperatura — evitando, principalmente, o excesso de calor, algo muito comum no clima brasileiro.

Assim como acontece em temperaturas mais frias, o calor extremo também faz com que os peixes percam o apetite. Portanto, uma das ações necessárias é o controle da alimentação, para que não sobre comida demais a ponto de interferir na qualidade do habitat do viveiro.

Outra atitude possível é aumentar a circulação da água, promovendo uma vazão maior do líquido quente e com baixas taxas de oxigênio, a ser substituído por um mais fresco, de características controladas.

Já no caso de temperaturas baixas, além do controle da ração, o ideal é fazer uso de estufas e aquecedores para auxiliar nas etapas da reprodução, e de suplementos alimentares para aumentar os níveis de vitaminas e outras substâncias que ajudam na imunidade dos animais.

Enfim, vimos aqui por que a temperatura é um dos principais aspectos a serem monitorados na produção de peixes. Ela influencia nos níveis de oxigenação da água e no metabolismo dos animais, piorando a sua produtividade e saúde. Por isso, é importante medi-la várias vezes ao dia para, se necessário, tomar as atitudes corretas e prevenir maiores problemas para a cultura.

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