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Peixes

Cultivo de algas pode ser opção para pequeno produtor

cultivo de algas

Uma fazenda marinha de um hectare pode render 20 mil quilos do produto seco por ano!

Pergunta: “Gostaria de saber o que são e para que servem as algas, se elas podem ser cultivadas tanto no mar quanto em água doce, e se a atividade é interessante para o pequeno produtor”.
Rosália Francis Cerqueira, Cuiabá, MT

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Algas são vegetais encontrados no mar, em rios, lagos e outros ambientes aquáticos, sendo algumas de tamanho microscópico. São chamadas de plantas aquáticas e podem ser unicelulares (microalgas) ou multicelulares (macroalgas), as quais são conhecidas como talófitas, por terem o corpo formado por talos.

Produção de algas marinhas não exige trabalho especializado. Um hectare cuidado por cinco pessoas rende em torno de 20 mil quilos de alga seca por ciclo.

As algas possuem grande importância ecológica e econômica. Na natureza, agem como um filtro natural que melhora a qualidade da água, ao absorverem nutrientes resultantes da decomposição de matéria orgânica para usar em seu processo de desenvolvimento. Também por meio da fotossíntese das algas planctônicas, são produtoras da maior parte do oxigênio presente na atmosfera.

Na indústria, as algas são matérias-primas para vários produtos, como alimentos, bebidas, remédios, tintas, fertilizantes e rações para animais. Na culinária, sobretudo nos países orientais, são muito apreciadas em molhos, sopas e carnes e na elaboração do sushi – prato japonês feito de arroz combinado com peixe, frutos do mar, vegetais ou frutas.

Com tantas finalidades, as algas podem ser, por meio de seu cultivo, uma ótima fonte de renda para o pequeno produtor. As marinhas são as que mais se destacam, por reunir todas essas funcionalidades. Uma das espécies mais comercializadas é a Kappaphycus alvarezii, fonte de carragenana, um aditivo usado como estabilizante em sorvetes, achocolatados, cervejas e vinhos; como espessante em iogurtes, sucos de frutas e cosméticos; e como ligamento em creme dental e carne congelada.

 

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Originária das Filipinas, a Kappaphycus alvarezii é uma espécie exótica de alga vermelha que integra os estudos de viabilidade econômica e ambiental de maricultura realizados por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade de São Paulo (USP) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Testes vêm sendo feitos desde 2008 na Praia de Sambaqui, em Florianópolis, SC. Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará são outros estados que se lançam na atividade.

Ainda pouco exploradas no Brasil, as técnicas de produção de algas marinhas são amplamente difundidas no mundo e apresentam grande potencial. A atividade, que faz parte da aquicultura, termo que engloba criação de peixes, crustáceos e anfíbios, não demanda mão de obra especializada e pode ser consorciada com o manejo de moluscos. Em uma fazenda marinha de um hectare e com trabalho de cinco pessoas, a produção pode chegar a 20 mil quilos de alga seca por ciclo. No ano, dependendo da região, podem ocorrer de cinco a nove ciclos.

Para o cultivo, o produtor precisa de sistemas flutuantes, como as balsas utilizadas na produção de ostras e mexilhões. As balsas são feitas de tubulação PVC, cabos multifilamento, flutuadores e redes. Para a construção de um equipamento de colheita, são necessárias barras de aço galvanizado e inox, rolamento, mancal e chapa de aço inox. Também é preciso ter embarcações pequenas para chegar até a área de produção no mar.

Os custos para montar uma fazenda marinha de um hectare podem chegar a R$ 50 mil, valor que o produtor pode financiar por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), crédito rural disponibilizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Estados e municípios também contam com fundos de desenvolvimento rural.

Uma alternativa é o uso de tanques circulares de polietileno de 500 litros. As algas são colocadas em telas circulares de plástico, com uma distância de 30 centí metros do fundo do tanque. É indicado instalar a estrutura em local fechado, para não receber água da chuva. Bombas submersas dão conta da circulação da água.

No entanto, independente do tipo de manejo escolhido, para iniciar a atividade são exigidos estudos de impacto ambiental e autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que também dá orientações ao produtor.

O preço pago ao produtor varia de R$ 2 a R$ 2,50 o quilo de alga seca. Mas não é o peso do volume produzido que determina o valor da planta. O produto pode ser mais caro se apresentar carragenana de melhor qualidade.

Dicas importantes

Procedimentos e condições climáticas necessárias para ter êxito no projeto

MUDAS São disponibilizadas por Epagri, UFSC, USP e outras instituições que estudam a espécie Kappaphycus alvarezii

LOCAL Em regiões sem excesso de chuvas e com temperatura da água entre 23 ºC e 30 ºC

SALINIDADE Deve ser de 23 a 38 partes por mil (ppt, na sigla em inglês)

COLHEITA São usadas redes de cultivo, e, em seguida, as algas são estendidas sob o sol para secagem

ENSACAMENTO Após 48 horas e reduzidas para 25% do tamanho inicial, as algas podem ser ensacadas e armazenadas para comercialização com empresas de beneficiamento

CONSULTOR: ALEX ALVES DOS SANTOS, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) Aquicultura e Pesca, Rod. Admar Gonzaga, 1188, Itacorubi, CEP 88034-901, Florianópolis, SC, tel. (48) 3239-8114, alex@epagri.sc.gov.br
MAIS INFORMAÇÕES: Leila Hayashi, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética, Laboratório de Algas Marinhas, Campus Universitário, Trindade, Florianópolis, SC, tel. (48) 3721-9000.

(Fonte: globo.com)


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