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Alimento natural vs. alimento formulado

Existem vários tipos de alimentos aquícolas, os quais podem ser divididos em duas grandes classes: os naturais e os formulados. Como podemos avaliar qual alimento é o mais indicado para a espécie criada e para o sistema de produção em questão?

Não existe uma resposta exata para esse questionamento, porém o recomendado é verificar os pontos positivos e negativos em relação a quatro tópicos: (1) qualidade nutricional, (2) introdução de patógenos, (3) custo e (4) conveniência, para depois chegar a um consenso sobre quais deles são mais importantes e quais têm maior impacto na operação e espécie, ou seja, fazer uma avaliação de risco baseada no sistema de operação para decidir qual o melhor alimento a ser utilizado.

De forma geral, os alimentos naturais são prontamente aceitos pelos organismos, não apresentando problemas associados a palatabilidade e a fatores anti-nutricionais, e atendem às demandas e exigências nutricionais da espécie, o que resulta num comprovado desempenho de produção. Já os alimentos formulados possuem uma qualidade nutricional consistente, estão disponíveis durante o ano todo, podem ser reformulados para atender a exigências específicas, são facilmente transportados, manuseados e estocados, possuem custo-eficácia positivo e geralmente são biosseguros. Porém, vale ressaltar que essa é apenas uma generalização e, como em toda generalização, existem exceções. Dessa forma, esses pontos positivos podem não ser válidos em certos casos.

Conforme discutido anteriormente, a qualidade nutricional do alimento aquícola é um dos principais fatores a ser considerado numa operação aquícola, se não o mais importante. O alimento formulado é o mais utilizado pelo fato de ser preparado e balanceado especificamente para atender às demandas e exigências nutricionais da espécie em questão. Além disso, sua qualidade nutricional é constante, ao contrário do alimento natural, cuja composição nutricional pode variar conforme a época do ano, entre outros fatores. Assim por exemplo, o perfil de ácidos graxos do fitoplâncton e consequentemente dos peixes que o consomem, como as sardinhas, varia conforme as estações do ano. Porém, no caso de espécies para as quais ainda não existe uma ração de qualidade específica disponível no mercado, o uso de alimento natural é uma alternativa. Na engorda de atum, por exemplo, o uso de sardinhas é a prática mais utilizada. No entanto, a transição para o uso de alimento formulado é promovida e esperada, e alguns centros de pesquisa e empresas estão testando uma ração formulada especificamente para esta espécie.

Com relação à introdução de patógenos, os alimentos formulados são mais biosseguros devido a todos os processos de fabricação serem controlados e possuírem um nível de exigência de higienização. Por sua vez, os alimentos naturais são mais vulneráveis a contaminação, aumentando a probabilidade de introdução de patógenos nos sistemas de produção por não existir um controle tão robusto sobre a procedência e manutenção dos mesmos. Por exemplo, os cultivos de microalga e de rotífero, bastante utilizados respectivamente em larviculturas de moluscos e peixes, são suscetíveis a contaminação e por isso essas práticas são feitas em salas isoladas e biosseguras para evitar ao máximo o contato com o exterior, evitando perdas na produção.

O custo do alimento aquícola é bem variável, dependendo do preço dos ingredientes, do local, do sistema de cultivo, do tipo de operação e manejo alimentar, da espécie cultivada, do nível de desenvolvimento e maturação da indústria, de políticas governamentais de incentivo, entre outros fatores. Dessa forma, é complexo tentar generalizar esse tópico em poucas palavras, mas esse é um fator que todos os produtores têm em mente, por influenciar a lucratividade da operação.

Em termos de conveniência, a escolha do tipo de alimento varia de acordo com os interesses e as necessidades do produtor. Os alimentos formulados são de fácil aquisição, transporte, manuseio e estocagem, enquanto que os alimentos naturais são prontamente aceitos e possuem desempenho comprovado.

Com base nessas informações, é possível decidir qual a melhor alternativa de alimento para sua operação aquícola. Conforme mencionado anteriormente, não existe uma regra ou um alimento aquícola mais indicado. A melhor opção vai realmente depender da avaliação de risco dos quatro tópicos mencionados (qualidade nutricional, introdução de patógenos, custo e conveniência) de acordo com o sistema de produção, o tipo de operação e o manejo alimentar.

Independente do tipo de alimento utilizado, é recomendado que o produtor separe uma amostra de 100-200g de todos os alimentos utilizados durante o ciclo produtivo, estocando-a adequadamente no freezer pois, em caso de incidência de doenças e/ou mortalidade, esse protocolo auxiliará na identificação da causa do problema.

(Fonte: AQUACULTURE BRASIL)


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